Janeiro 2010
Foto do mês - Polvo

 
A fotografia do mês foi gentilmente cedida por Vitor Antunes, voluntário do programa SALPA
O texto é de Diogo Sayanda


O polvo-vulgar (Octopus vulgaris) é a espécie mais abundante de polvo das águas Portuguesas. Distingue-se do seu congénere, o polvo-do-alto (Eledone chirrosa) por ter duas fileiras de ventosas em cada um dos seus 8 tentáculos e, ao contrário desta espécie ocorre a profundidades relativamente baixas, dos 0 aos 150m. Tem um ciclo de vida peculiar com uma duração de 1 a 3 anos (geralmente não passa dos dois anos) que tem início com uma larva plantónica que preda activamente outras larvas e organismos que constituem o zooplâncton marinho. Após um período máximo de 1-2 meses as larvas sofrem uma metamorfose, em que os tentáculos crescem em relação ao tamanho do manto, e adquirem a forma típica do polvo. Nesta altura dá-se o assentamento das larvas e o polvo passa a ter uma vida em que mantém uma ligação estrita com o leito marinho, sobretudo de natureza rochosa, onde se alimenta e refugia. Nos 10 meses que se seguem o polvo cresce a um ritmo acelerado podendo atingir os 4-5Kg de peso e finalmente reproduz-se num único acto durante o Verão. Após a cópula os machos geralmente morrem enquanto que as fêmeas deixam de se alimentar e utilizam todas as suas energias na incubação dos ovos (mais de 500 000) morrendo pouco depois da eclosão das larvas.

Este predador nocturno é muito comum nos fundos do Parque Marinho e tem a característica de adornar a entrada dos enclaves que utiliza como abrigo com os exoesqueletos e conchas das suas presas. Durante o período diurno permanece menos activo em zonas de ensombramento ou nos seus abrigos mas também pode ser observado em zonas mais expostas à luz solar. Devido à sua capacidade de controlar os seus cromócitos e alterar a textura da sua pele, o polvo-vulgar, à semelhança de outros cefalópodes têm uma capacidade espantosa de se mimetizar completamente com o fundo marinho e de comunicar com outros membros da mesma espécie através de alterações rápidas da cor e textura da sua superfície. Quando interage com mergulhadores normalmente sente-se encurralado pelo que, inicialmente toma uma coloração avermelhada forte em que tenta impor a sua presença e finalmente adquire uma coloração esbranquiçada, expressando o seu medo imediatamente antes de iniciar a sua fuga.